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Abordagem da Polícia Civil em negociação com delegada será debatida na ALMG

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Sargento Rodrigues (PL), afirmou, nesta quarta-feira (22), que vai exigir explicações sobre a abordagem da Polícia Civil no atendimento da ocorrência que envolve a delegada Monah Zein. A mulher se trancou no próprio apartamento, no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, e permanece no local há mais de 24 horas, depois de ter o imóvel cercado por agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). Fontes ligadas à instituição afirmaram que ela teria enviado mensagens de conteúdo emocional sensível, o que teria levantado preocupação sobre a saúde mental da policial.

O deputado estadual classificou a atuação da polícia no caso da delegada como “equivocada” e teve aprovado, nesta quarta-feira, requerimento para convocar audiência pública sobre a abordagem da corporação em casos que envolvem a saúde mental de seus servidores e as frequentes denúncias de assédio moral e abuso de autoridade dentro da Polícia Civil.

“A Polícia Civil não deveria ter mandado ninguém até o apartamento dela. Ela precisa de ajuda, e não de repressão em cima dela. Ela fez o vídeo como um grito de socorro e a abordagem que a Polícia Civil está fazendo é equivocada. Ela precisa de tranquilidade, de paz, de descanso. E não de perseguição, coação e assédio moral”, condenou o parlamentar.

Devem ser convidados a prestar esclarecimentos na Assembleia membros da Polícia Civil, Secretaria de Planejamento e Gestão, e do Ministério Público. O parlamentar argumenta que o caso da delegada reforça a necessidade de mudanças na forma como a corporação ampara seus agentes e avalia que policiais estão ficando doentes devido à sobrecarga de trabalho e de episódios de assédio moral. “(A delegada) vem falando de uma perseguição constante, um assédio moral dentro da instituição. Ao tentar solucionar, a polícia manda policiais. Há ali uma violação, inclusive, da intimidade da vida privada”, condena Rodrigues.

Entenda o caso
Agentes da Polícia Civil chegaram ao endereço da delegada por volta das 9h desta terça-feira (21) e subiram as escadas do prédio equipados com escudos de proteção. Houve um contato entre a policial e os demais agentes, que tentaram disparar um taser contra ela.

A mulher, em seguida, teria efetuado pelo menos três disparos, sem atingir nenhum policial. Desde então, ela se trancou no apartamento e ficou incomunicável.

A servidora, por sua vez, realizou uma live durante a tarde desta terça-feira (21), mostrando parte da abordagem e da negociação feita pelos policiais. Na transmissão, ela acusou vários servidores da Polícia Civil de assédio. “Eles tiraram minha saúde, vocês não têm ideia do que fizeram. Foi torpe, foi vil”, disse. Ela afirmou ainda que a entrada dos policiais em seu prédio é uma violação. “Eles não têm mandado [judicial]. Agora, eu que estou presa em cativeiro”, continuou.

Monah relatou, durante o vídeo, que deveria ter voltado para o serviço nesta terça-feira (21). No entanto, não quis comparecer à delegacia. “Isso é um absurdo, eles tiram a minha vida e vêm aqui. Trabalho para pagar psiquiatra e advogado”, disse. Monah esclareceu que, em nenhum momento, disse que tiraria a própria vida. “Não tenho coragem de tomar banho [por ter medo do meu apartamento ser invadido], querem que eu entregue minha arma. Como vou ficar aqui desarmada?”, questionou.

Durante a noite, em um post nas redes sociais, ela afirmou a Polícia Civil transformou a situação em um “teatro adoecedor”. Ela também criticou a presença dos policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) à porta de sua casa, negou ter pensado em cometer suicídio e acusou a instituição de assédio.

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