Paulo Roberto Gomes Fernandes, sob a perspectiva do desenvolvimento industrial e da infraestrutura energética, avalia que o cenário observado em março de 2014 já indicava sinais claros de alerta para a engenharia de projetos no Brasil. Naquele momento, a proximidade do encerramento de grandes empreendimentos ligados a refinarias e unidades industriais, somada à ausência de novos projetos estruturantes, começava a provocar uma redução significativa da capacidade produtiva do setor. Observado a partir de 2026, esse período revela-se fundamental para compreender fragilidades que ainda influenciam o planejamento da engenharia nacional.
Em 2014, a engenharia de projetos vivia um ciclo descendente após anos de forte demanda impulsionada por grandes obras industriais. A falta de previsibilidade quanto a novos empreendimentos passou a afetar diretamente a manutenção de equipes técnicas qualificadas, criando um ambiente de incerteza para empresas de engenharia e profissionais especializados.
A perda de capacidade produtiva e seus efeitos no médio prazo
Conforme analisa Paulo Roberto Gomes Fernandes, a redução da atividade em engenharia de projetos não se limita a números imediatos, mas gera impactos estruturais de longo alcance. A diminuição expressiva de recursos humanos, em alguns casos próxima à metade da capacidade anterior, compromete a continuidade do conhecimento técnico acumulado ao longo de anos de atuação em projetos complexos.
Esse tipo de retração tende a produzir efeitos em cascata. A dispersão de equipes experientes dificulta a retomada quando novos empreendimentos surgem, elevando custos, prazos e riscos. Além disso, a perda de massa crítica em engenharia básica e de detalhamento reduz a autonomia técnica do país, tornando-o mais dependente de soluções externas em projetos futuros.
A importância do planejamento antecipado de projetos
Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, uma das alternativas discutidas naquele período foi a necessidade de planejar projetos com maior antecedência, mesmo na ausência imediata de obras em execução. A criação de mecanismos capazes de manter a engenharia ativa, como o desenvolvimento prévio de projetos conceituais e básicos, passou a ser vista como estratégia para preservar competências técnicas e preparar o terreno para futuras oportunidades.
O conceito de um banco de projetos surge nesse contexto como resposta à descontinuidade dos investimentos. Ao antecipar etapas de concepção e detalhamento, seria possível reduzir o tempo de resposta quando decisões de investimento fossem tomadas, além de manter equipes engajadas e capacitadas. Em 2026, esse tipo de abordagem é amplamente reconhecido como prática essencial em países que buscam estabilidade e eficiência em sua cadeia de engenharia.
Engenharia básica, produtividade e competitividade
Outro ponto central do debate iniciado em 2014 foi a necessidade de fortalecer a engenharia básica no Brasil. A perda dessa competência ao longo do tempo compromete a capacidade do país de liderar projetos industriais complexos, especialmente em setores intensivos em tecnologia e capital.

Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, a discussão sobre produtividade também ganhou relevância. A incorporação de novas ferramentas digitais, como modelagem avançada e integração entre cronograma e orçamento, passou a ser vista como caminho para elevar a eficiência dos projetos. A evolução de métodos tradicionais para modelos mais integrados de planejamento e controle tornou-se fundamental para enfrentar um ambiente de investimentos mais restrito e competitivo.
Cooperação institucional e desenvolvimento de boas práticas
Conforme percebe Paulo Roberto Gomes Fernandes, a atuação conjunta entre associações, empresas e grandes contratantes mostrou-se um elemento positivo naquele cenário desafiador. Grupos de trabalho dedicados ao desenvolvimento de procedimentos técnicos, padronização de práticas e disseminação de conhecimento contribuíram para mitigar parte dos efeitos da retração.
A produção de materiais técnicos, guias e publicações especializadas ajudou a consolidar aprendizados e a orientar empresas na busca por maior eficiência. Essas iniciativas reforçam a importância da cooperação institucional como instrumento para preservar e desenvolver capacidades estratégicas, mesmo em períodos de baixa atividade.
Lições do cenário de 2014 sob a ótica de 2026
Sob o entendimento de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a falta de novos empreendimentos observada em 2014 deixou lições relevantes para a engenharia de projetos no Brasil. A dependência excessiva de ciclos de grandes obras, sem planejamento contínuo, expõe o setor a oscilações abruptas que comprometem sua sustentabilidade.
Ao analisar aquele período a partir de 2026, torna-se evidente que a engenharia nacional necessita de políticas de longo prazo, previsibilidade de investimentos e mecanismos que assegurem a continuidade da capacitação técnica. A preservação da engenharia de projetos não é apenas uma questão setorial, mas um elemento estratégico para o desenvolvimento industrial, a soberania tecnológica e a competitividade do país em um cenário global cada vez mais exigente.
Autor: Thompson Wood
