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O que começa agora com a Vivaxin, candidata da UFMG contra a malária

Redação Tribuna Policial
Última atualização 23/10/2026 16:29
Redação Tribuna Policial 23/10/2026 5 Min de leitura
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Cientista usando luvas analisa um líquido azul em laboratório, diante de um microscópio e materiais de pesquisa.

A candidata brasileira Vivaxin entrou em uma nova etapa de desenvolvimento ao receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser testada pela primeira vez em seres humanos. Criado pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o produto foi desenvolvido para combater a malária provocada pelo Plasmodium vivax, espécie responsável pela maior parte dos casos registrados no Brasil.

Contents
Primeira etapa será feita com 48 adultosPor que o foco está no Plasmodium vivaxAutorização não equivale a registroPesquisa envolve universidade pública e saúde nacional

O aval regulatório não representa uma aprovação da vacina para uso amplo. Ele permite o início de um estudo clínico de fase 1, etapa voltada principalmente à avaliação de segurança, possíveis reações após a aplicação e capacidade de estimular uma resposta do sistema imunológico. A pesquisa deverá acompanhar os voluntários por 360 dias, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde.

Primeira etapa será feita com 48 adultos

O primeiro ensaio clínico contará com 48 adultos entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção prévia, conforme o comunicado oficial. Nesse momento, o objetivo não é comprovar que a Vivaxin consegue impedir a doença em larga escala, mas reunir informações iniciais sobre como o organismo reage ao produto e se a candidata apresenta condições para avançar nas etapas seguintes.

Estudos de fase 1 são realizados antes de avaliações mais amplas justamente para identificar riscos iniciais e observar a resposta imunológica dos participantes. A autorização para iniciar essa fase, portanto, deve ser entendida como uma permissão para investigar a candidata em condições controladas. Eventuais decisões sobre eficácia, registro sanitário e oferta à população dependerão dos resultados e de novas análises regulatórias.

Por que o foco está no Plasmodium vivax

A Vivaxin foi projetada para enfrentar uma espécie de parasita diferente daquela associada às vacinas contra malária recomendadas internacionalmente. De acordo com o Ministério da Saúde, os imunizantes atualmente recomendados foram desenvolvidos para o Plasmodium falciparum, predominante na África. Já o P. vivax tem maior presença nas Américas e na Ásia.

Essa diferença ajuda a explicar a relevância da pesquisa brasileira. A malária continua sendo um problema de saúde pública no país: o Brasil registrou 118.037 casos da doença em 2025, segundo os dados apresentados na divulgação oficial. A candidata da UFMG é apontada pelo governo federal como o primeiro projeto de vacina do mundo voltado especificamente à malária causada pelo P. vivax.

Autorização não equivale a registro

Entre o começo de um teste clínico e a eventual disponibilização de uma vacina existe um caminho regulatório que ainda precisa ser percorrido. A autorização concedida pela Anvisa permite a realização do estudo inicial, mas não significa que a Vivaxin já tenha demonstrado proteção contra a malária ou que possa ser aplicada fora da pesquisa autorizada.

Depois da fase 1, os resultados poderão indicar se o desenvolvimento deve prosseguir para estudos posteriores, com outros desenhos e grupos de participantes. Essas etapas são necessárias para ampliar o conhecimento sobre segurança e avaliar a eficácia do produto. Somente após a análise dos dados exigidos pela autoridade sanitária seria possível discutir um eventual registro e, posteriormente, a incorporação a programas públicos de imunização.

Pesquisa envolve universidade pública e saúde nacional

O desenvolvimento é conduzido pelo CTVacinas, estrutura ligada à UFMG, e representa uma frente de pesquisa nacional voltada a uma doença ainda presente no país. A participação de uma universidade pública também coloca a investigação no campo do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro, sem transformar a autorização inicial em promessa de distribuição imediata.

A divulgação ocorreu em 10 de outubro de 2026, na página de notícias de outubro do Ministério da Saúde. O próximo marco informado é a execução do estudo com os voluntários selecionados. Até que os resultados sejam produzidos e avaliados, a Vivaxin permanece como uma candidata em investigação, e não como uma vacina disponível para a população.

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